Origem do OLHO

Um dos argumentos favoritos dos criacionistas é que um aparato tão intricado como o olho (com uma íris que regula a luz, uma lente focalizadora, uma retina estratificada de células fotossensitivas, e assim por diante) não poderia resultar da evolução darwiniana. Como mutações aleatórias criariam e agrupariam, instantâneamente, partes que não teriam uma finalidade independente?  “De que adiantava meio olho?”, zombam os criacionistas, insistindo que, à primeira vista, o órgão é uma prova cabal da existência de Deus.

De fato, até Charles Darwin admitiu em sua obra A origem das espécies que o olho parecia constituir uma oposição a sua teoria. Mas, ao analisarem registros fósseis, estágios de desenvolvimento embrionário e os diversos tipos de olhos existentes em animais, biólogos pró-Darwin delinearam etapas evolucionárias progressivas, que podem ter levado o órgão a sua complexidade atual.

A estrutura básica do olho humano é similar em todos os vertebrados, até em lampreias, cujos ancestrais se afastaram dos nossos a cerca de 500 milhões de anos. Conclui-se, portanto, que naquela época todos os aspectos essenciais desse órgão provavelmente já existiam, argumenta Trevor Lamb, da Australian National University. Contudo, os parentes mais próximos dos vertebrados, as escorregadias mixinas, ou peixes-bruxa (animais com crânio cartilaginoso, mas sem outros ossos), têm apenas olhos rudimentares.

Portanto, conforme Lamb, é possível que nosso órgão visual tenha evoluído depois de nossa linhagem se separar dos peixes-bruxa, há uns 550 milhões de anos. Animais mais antigos podem ter tido placas de células fotossensíveis em seu cérebro, para diferenciar a luz do escuro, a noite do dia. Mas, se essas placas se readaptaram e formaram estruturas parecidas com bolsas, como nas mixinas, eles teriam sido capazes de distinguir a direção de onde vinha a fonte de luz. Outros pequenos aprimoramentos possibilitaram a visualização de imagens grosseiras, como fazem os olhos de câmaras escuras, dotados de um minúsculo orifício para entrada de luz, e do náutilo, um molusco antigo. Posteriormente, as lentes poderiam ter-se originado de camadas espessas de pele transparente. O segredo é que, a cada estágio, o olho “incompleto” ofereceu vantagens de sobrevivência sobre seus antecedentes.

Biólogos calcularam que todas essas mudanças podem ter ocorrido em apenas 100 mil gerações, o que, em termos geológicos, equivale a um piscar de olhos. Uma evolução acelerada como essa talvez fosse necessária, porque muios invertebrados estavam desenvolvendo tipos próprios de olhos. “Houve um verdadeira corrida armamentista”, compara Lamb. “Assim que alguém tivesse olhos e começasse a te devorar, tornou-se importante conseguir escapar.”

Uma resposta to “Origem do OLHO”

  1. REMBRANDT DONIZETTE CASTRO Says:

    Partem, os cientistas, do princípio de que já existiam formas de vida dotadas de células fotossensíveis. De onde vieram tais células? Como se implantaram nos animais? E sempre dando a impressão de que a natureza, em determinado momento, decidiu que estava na hora de desenvolver certa adaptação e, espantosa e engenhosamente, desenvolvia-as.
    A seleção natural que eu conheço é aquela que Darwin observou a bordo do Beagle. Nos primórdios da vida, como agiu esta seleção? Como eliminava os não-adaptados?

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